23 de novembro de 2011

Melodrama

A sequência de atos apresentados por ela não obedecia a uma lógica narrativa porque queria quebrar o conceito de que "tudo faz parte de um grande espetáculo, e os grandes espetáculos fazem parte de um excesso já saturado em todos os meios".


E para que tudo não fosse apenas palavras ao vento, quis começar dizendo "até logo", depois "olá", depois "sim", mas não conteve o impulso e disse tudo de uma vez, estava entre aquilo que se chama de ímpeto pós-processo de isolamento sem causa. Uma carência por socializar-se; como alguém que começa a definir um "modelo" a ser seguido: o quero ser seguida e o quero ser amada; quero fazer parte de um grupo popular. Não se conteve, cedeu ao excesso e antecipou tudo o que era óbvio; mas não quis admitir isso no primeiro momento.

Mostrou-se até a última gota e pôs à prova sua carência ao público, achando ser a melhor maneira de portar-se; achando que alguém, ao ver sua performance, daria mais ênfase, após fazer a associação de toda a sua idéia. De fato, havia se enganado, ela apenas contribuiu para dar mais caráter ao excesso. Prostou-se. Ao final, recostou o corpo na porta do quarto e desatou a chorar copiosamente.

3 comentários:

  1. Edilma,
    obrigada pela visita.
    és bem-vinda :) um abraço!

    ResponderExcluir
  2. Bem disse Eliot "Quase todos os nossos males nos vêm de não termos sabido ficar em nossos quartos”


    bacio

    ResponderExcluir

Você pode dizer muito ou quase nada; pode apenas fincar as suas unhas e aranhar a minha janela ou derrubar as cortinas, não tem problema: mostre que você está vivo! Obrigada por estar aqui!