Não quero convencê-lo, caro leitor, de que neste espaço não cabe abertura para verbos na primeira pessoa do singular. Seria um equívoco pensar um diálogo sem o uso de tais recursos de linguagem. Ou então este espaço seria unilateral, o que não cabe aqui neste exato momento, muito menos em momentos anteriores a hoje. Mas o que eu quero deixar claro com esta mensagem é que eu sinto falta daqueles momentos fortes do dia-a-dia em que eu me sentia incomodada com tanto sentimento em volta de mim e expunha isso em palavras para exprimir minha tristeza pela distância, pelo desafeto ou afeto de outrem e até pelo desacato; a ternura pelo encontro ou desencontro entre as pessoas, muito comum a todos nós caros indivíduos iludidos ou desiludidos. E também indivíduos que iludem outros e outros por aí vez em quando – fato inegável.
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14 de novembro de 2012
21 de maio de 2012
Bastava Um Olhar
Ele vem e toma as minhas mãos nas suas e me envolve em seus braços fortes: abraço. Ele me pede com olhar insinuante e me desafia a recriar imagens suas de um tempo distante quando ainda éramos jovens, perdidos e iludidos por não sabermos bem a direção a tomar; e nossos pés andavam espalhando poeira por todos os lugares; é, não sabíamos onde fincar a pedra. Quando ainda tínhamos a ilusão de que os tempos seriam incríveis e a direção seria sempre à frente de nossos pés, criamos sonhos e desejamos castelos. Que ilusão a nossa, estávamos com a visão carragegada de argueiros e, mesmo com o incômodo, tudo pareceia tão natural e descolado que nos sentíamos especiais. Era tudo tão incrível e havia pessoas tão maravilhosas à nossa volta que esquecemos de olhar para dentro de nós mesmos para descobrir o que havia ou o que estava acontecendo, talvez a perspectiva fosse errada. E era, fato comprovado; agora que parei para pensar no ontem, percebo o quanto fomos inúteis.
15 de abril de 2012
Sonho de Dois por Um
A mulher de quem vou falar era vaidosa, gostava de fumar em piteiras leves e perfumadas; deixava as unhas impecáveis porque achava que era o seu ponto forte e era para onde todos olhavam na primeira conversa. A mulher de quem vou falar era de meias palavras, mas animada; tinha cílios longos, mas retraídos; a mulher de quem vou falar era sempre terna e amava seu marido, ao menos ela achava isso. E ela desenvolveu seus sonhos pensando que o mundo dele completaria o seu ou, ao menos, devia pensar que não havia fronteiras entre ela e ele; ela compôs frases de efeito e postou em cada momento fotografado por alguém de mãos ágeis que sempre passava por eles num desses dias de pura histeria. Ela guardou as câmeras só para lembrar de todos os momentos bons que passaram juntos e também para contar o tempo: cada pedacinho de tempo passado. Ela pensou muito nos dois.26 de outubro de 2011
As Cortinas
Fechei as cortinas para além da janela da minha imaginação e publiquei,
com base em argumentos plausíveis, o amor em bebida doce. E como tudo tem um contraponto, derrubaram minha
teoria com o argumento de que na literatura não há suporte para tal abordagem e tudo o que se dizia
doce junto com amor foi rejeitado.
17 de outubro de 2011
Céus Frígidos
Estava se revirando de tanto desespero, é que hoje, ao acordar, ela foi até a janela que dá para o jardim e descobriu que, como todas as outras coisas, as flores haviam secado e o tempo, contrariando a previsão, estava frio e seco.
E lhe ocorreu um pensamento sólido que fez todo o seu corpo tremer, tamanha intensidade: “não importa o quanto alguém manipule seus sentimentos, a verdade permanecerá intacta”.
15 de abril de 2011
Eu Vou Chover na Sua Praia!
Esta é a história de Adélia, moça nobre de coração e cheia de vontade de crescer na vida. O problema é que Adélia conheceu Heitor e ela se apaixonou por ele duas semanas depois de sentir seus braços fortes junto aos seus.
Acontece que Heitor não é flor que se cheire, Adélia só descobriu isso depois que eles foram a uma festa juntos, pobre Adélia: tão meiga e tão ingênua.
6 de abril de 2011
Comprexo de Fracassado Político-Amoroso
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