Eu tenho dormido
inegavelmente bem na casa de outras pessoas, tenho deixado o corpo relaxar como
nunca dantes. Esse fato não aconteceria se eu eu não dormisse há um tempo no sofá
de casa. Tenho ouvido muito por aqui há dias, anos: “tenha paciência, minha filha!
”. Que tipo de paciência você sugere que eu tenha quando a única coisa que
sinto é o corpo doer, se contorcer, não relaxar no sofá de casa. Casa, casa,
casa. Ai, eu estou perdendo a paciência agora. Eu sei disso porque eu estou passando
a mão no rosto, esfregando a testa, sentindo o peso dos olhos, a face rígida.
Há algo muito errado nessa falácia toda.
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7 de junho de 2016
17 de maio de 2015
O Predador Moderno
Este texto não é de minha autoria, talvez por isso seja tão interessante e belo!
Autor: G.M.
27 de dezembro de 2014
O tempo voa
Ainda ontem sentava na frente do
computador para colocar os sonhos no word.
Desse tempo para cá eu ainda sento em frente ao computador, porém faz um
ano, certamente, que não paro para escrever sobre sonhos, ilusões, aventuras,
desventuras e etc. Hoje, tendo um dia raro de descanso, me peguei relembrando o
tempo em que era fissurada na blogagem. Lembro quando criei a conta no gmail especialmente para o blogue,
embora eu pudesse utilizar os meus e-mails usuais como o yahoo e o hotmail. Mas,
pegando o embalo das mudanças, quis conhecer o que havia de novo no gmail.
6 de agosto de 2013
Samba da Bênção – A Finalização
“A vida não é brincadeira, amigo.
A vida é arte do encontro”.
Composição: Baden Powell / Vinícius de Moraes
| Fotografia da autora |
Caro Fontes, começo a escrever este texto ao som do Samba da Bênção na voz da Bebel Gilberto. Afinal, é melhor ser alegre que ser triste, alegria é a melhor coisa que existe. Eu sei, eu sei que na música é melhor ter um pouco de tristeza para escrever um bom samba, mas aqui, meu amigo, a realidade é outra. Hoje eu estou alegre! E a minha alegria tem a ver com finalização. Eu sei que você não deve estar entendendo nada a princípio, mas depois de um tempo você vai acabar compreendendo o que eu estou tentando dizer. Hoje estou falando de fe-cha-men-to. Sim, as disciplinas do primeiro semestre do mestrado estão sendo finalizadas e eu deitando o corpo por completo na cama macia pra voltar a te escrever.
24 de maio de 2013
O Contato
Haviam se conhecido numa ocasião não muito boa para ambos. Na época, ela tinha acabado de ser demitida e ele tinha acabado de ser transferido para outro país. Ambos tinham receio: ela por não saber o que fazer da vida – após haver se dedicado durante muito tempo ao trabalho como se fosse a sua própria família –, e ele na incerteza da sua adaptação a um mundo que desconhecia. Estavam intranquilos, ambos deixavam laços para trás. Ele muito mais do que ela.
6 de fevereiro de 2013
Expectativa para o Carnaval
Não falo do carnaval deste ano, mas de todos os que estão por vir. Vai ser sempre assim: agitado, ansioso, contagiante. Sim, porque mesmo aqueles que não participam da festa pensam um dia em brincar nos blocos de rua. Ou mesmo aproveitar o carnaval de outra maneira: um retiro espiritual, um tempo em casa o dia todo descansando, um motivo para reunir a família: tudo isso faz parte da expectativa criada em cima do carnaval.3 de fevereiro de 2013
Inquietação
“Mas quem tem coragem de ouvir,
Amanheceu o pensamento que
Vai mudar o mundo com seus
Moinhos de vento”.
(Frejat e Dulce Quental)
Só pra quem tem coragem, ele disse esfregando bem forte as mãos e piscando os olhos denotando uma inquietação nunca antes vista em seu semblante. Sempre calmo, rosto sereno e tranquilo, ninguém jamais duvidou da sua coragem, porém questionavam sua agilidade e insistiam que ele não iria muito longe porque pouco expressava sua opinião quando solicitado. Pouco se doava nos relacionamentos, não por medo. Ele tinha uma espécie de código de conduta: não requerer satisfação quando não parecesse necessário; não fingir amor quando não sentia; não cobiçar quando não lhe apetecia. Não fazia nada por fazer, era o seu lema, preferia deixar seguir. Era sereno.7 de janeiro de 2013
Da Janela
Ainda ouço o barulho dos fogos de artifício queimando no céu azul da madrugada do dia primeiro. Naquele instante, parei para acompanhar o espetáculo que se formava no céu e tenho certeza de que algumas outras pessoas também pararam em frente à janela para espiar a queima em massa e, sem perceber, pousaram o olhar em um ponto específico e se perderam no tempo e os fogos viraram um cenário de lembranças. Para alguns, a passagem do ano se mostra apenas como uma simbologia ou a simples troca de um número pelo outro, o resto é uma constante: as perspectivas ou a falta delas, as leituras, as histórias, o cronograma, a tarifa de embarque, as roupas brancas e etc. Para outros, a passagem é um começo, é a possibilidade de mudar e renovar as forças: é a expectativa de crescimento e desenvolvimento de novos ideais.
16 de dezembro de 2012
A Saudade é um Rolo que Nunca Acaba
25 de outubro de 2012
A Cartomante e o Homem do Futuro
Durante este tempo, eu ainda estava morando próximo à beira do cais, no Recife Antigo, e ainda mantinha a ideia do bem-viver como algo que purificava o espírito. Conservava a alma com a pureza do ar que, naquele tempo, se podia respirar tranquilo. Era noite, o Recife mantinha a calmaria marítima da noite e o cais, obscurecido, era agitado apenas pela passagem dos trabalhadores e visitantes do lugar. Mas algo chamava a atenção: a mulher de cabelos compridos e batom vermelho reluzente sentada no batente próximo ao galpão de carga e descarga. Parecia muito pensativa.
28 de setembro de 2012
Rua da Coragem
Muita coragem me falta neste instante, mas ela sempre está lá. Levanta, senta. Senta, levanta. As mãos apressadas e trêmulas, as roupas molhadas de tanto trabalho em casa: roupas no varal limpas e aromáticas, comida na panela de dar gosto o cheiro do tempero. E o aroma se espalha pela casa afora até atravessar as cortinas e chegar à vizinhança. E muita coragem me falta, menos a ela que está lá sentada em sua cadeira de balanço. E ela estava lá, fim de tarde, sentada em sua cadeira; cachimbo na mão direita, olhar distante e umas baforadas violentas em direção à janela. Devia estar pensando no tempo em que morou na rua da coragem.8 de agosto de 2012
O Poder das Coisas #2:
O Poder que a Palavra tem Sobre as Coisas
| Ilustração: Alesson Felipe |
18 de julho de 2012
O Poder das Coisas: #1
o poder que a palavra tem sobre as coisas
| Ilustração: Alesson Felipe |
5 de junho de 2012
Chandler, 1929
| Ilustração: Alesson Felipe |
Minha pequena, em alguns jogos, as palavras são peças de ouro; em um jogo de blefe, por exemplo, o que perdura são os gestos, a estratégia de ação determina o resultado da aposta. Por isso tenha muito cuidado: as palavras pronunciadas têm muito poder e as escritas, também. Ele costumava falar assim, como se estivesse reproduzindo um sermão, toda vez que nos encontrávamos no banco da praça da rua Chandler, nas tardes frias de inverno. Não fosse por esses pequenos encontros, minha cultura se resumiria ao crochê e aos chás na casa das amigas de minha mãe.
21 de maio de 2012
Bastava Um Olhar
Ele vem e toma as minhas mãos nas suas e me envolve em seus braços fortes: abraço. Ele me pede com olhar insinuante e me desafia a recriar imagens suas de um tempo distante quando ainda éramos jovens, perdidos e iludidos por não sabermos bem a direção a tomar; e nossos pés andavam espalhando poeira por todos os lugares; é, não sabíamos onde fincar a pedra. Quando ainda tínhamos a ilusão de que os tempos seriam incríveis e a direção seria sempre à frente de nossos pés, criamos sonhos e desejamos castelos. Que ilusão a nossa, estávamos com a visão carragegada de argueiros e, mesmo com o incômodo, tudo pareceia tão natural e descolado que nos sentíamos especiais. Era tudo tão incrível e havia pessoas tão maravilhosas à nossa volta que esquecemos de olhar para dentro de nós mesmos para descobrir o que havia ou o que estava acontecendo, talvez a perspectiva fosse errada. E era, fato comprovado; agora que parei para pensar no ontem, percebo o quanto fomos inúteis.
18 de abril de 2012
Voo por Entre Nuvens
Seus olhos brilhavam como se fossem inundados por água, duas bolhas cheias de segredos incontestes: ela era a mais franzina da Vila Francinette e também a mais intrigante de todas, seu nome era Emília, a moça dos versos rebuscados e enigmáticos, sua fama corria a Vila, mas seu posicionamento arredio afastava a maioria das pessoas do seu convívio. Tudo bem, ela ainda tinha a família e a imaginação. Emília figurava o silêncio, mas seus olhos d'água corriam precisos por todos os lugares e eles falavam mais do que qualquer palavra pronunciada.
15 de abril de 2012
Sonho de Dois por Um
A mulher de quem vou falar era vaidosa, gostava de fumar em piteiras leves e perfumadas; deixava as unhas impecáveis porque achava que era o seu ponto forte e era para onde todos olhavam na primeira conversa. A mulher de quem vou falar era de meias palavras, mas animada; tinha cílios longos, mas retraídos; a mulher de quem vou falar era sempre terna e amava seu marido, ao menos ela achava isso. E ela desenvolveu seus sonhos pensando que o mundo dele completaria o seu ou, ao menos, devia pensar que não havia fronteiras entre ela e ele; ela compôs frases de efeito e postou em cada momento fotografado por alguém de mãos ágeis que sempre passava por eles num desses dias de pura histeria. Ela guardou as câmeras só para lembrar de todos os momentos bons que passaram juntos e também para contar o tempo: cada pedacinho de tempo passado. Ela pensou muito nos dois.4 de abril de 2012
Notas Sobre a Tristeza cap. 02
Mergulho
"O significado da vida transborda no sangue que pulsa"
Quando a tristeza toma conta do corpo e da mente, a esperança fica impenetrável. E então surge o primeiro sinal do mergulho: a fraqueza. Por um longo tempo, ele caminhou por entre as sombras, perdido, mergulhado em si mesmo, mas desprovido de amarras e convenções sociais.
2 de abril de 2012
Notas Sobre a Tristeza cap. 01
Morte e Vida
Veias, o significado da vida transborda no sangue que pulsa. Veias pululam em sua pele alva, mas podia ser negra, se assim ele achasse conveniente. Veias, o significado da morte transborda no sangue que pulsa. Morte. Morte e vida era o seu estado. Em memória de si mesmo ele bebeu vinho, cobriu o corpo e o espelho com lençol branco e tingiu de escarlate as paredes de sua casa com um resto de tinta que ele encontrou em meio a uma pilha de lixo entulhado a duas quadras do seu endereço. Foi a partir desse momento que ele percebeu o inevitável: estava perdido.
15 de março de 2012
Acessibilidade
“Eu não tenho muito, quase nada. Só a sombra do meu corpo misturada a galhos secos”. Após pronunciar essas palavras, ele me estendeu a mão. Foi o suficiente.
Antes de o amor chegar, eu estava sentada em frente ao mar, boca seca, pés cansados, olhar perdido e mãos corroídas. Mãos corroídas pelo tempo. Tempo de espera que me machucava a cada vez que eu olhava para a vida e não enxergava a esperança junto à ponta dos seus dedos; a cada vez que eu tentava levantar e não conseguia porque as forças me faltavam e me impediam de ir além. Foi então que, ao longe, eu vi a sua mão e meu rosto se iluminou. Foi quando você veio.
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