Nunca fui capaz de dizer eu me rendo. Mas ao mesmo tempo penso que, como todos dizem, pronunciar ‘nunca’ é coisa muito forte. Portanto me corrijo e digo que não tinha havido, em minha vida, a oportunidade de me render para um outro ser assim como aconteceu. E olhe que em minha vida já passou o King, a Priscila, o Marrom, o Carrilhão e talvez a memória tenha me falhado. Mas o que é a memória quando não se sabe distinguir entre a doação real e a doação inventada. A retórica diz que não é nada. Ser assaltada por sentimentos de cuidado, preocupação, tensão e temeridade não é coisa que acontece todo dia, ao menos para mim.
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4 de março de 2013
14 de junho de 2012
Você é a Minha Cinemateca
27 de fevereiro de 2012
De Gelo
Dê-me as mãos, as minhas estão tão frias, já não sinto os meus dedos, há gelo em todos os lugares desta casa; o canto, o nosso preferido, já não é mais o mesmo desde a sua partida. Lembra quando a gente compartilhava segredos nas noites quentes de verão e trocávamos olhares de cumplicidade e paixão e, às vezes, meus pés roçavam nos seus e eu sentia a sua quentura em minha pele enervada. Sim, eu lembro. Guardo tudo em minha memória, como agora. Como se eu estivesse segurando suas mãos.
11 de maio de 2011
Distância
Estou aqui sentada. E não exatamente pensando em você ou em nós, mas eu estou com aquele caderno que você me deu. Nossa, como eu tinha medo de escrever nele. Lembro uma vez que você me disse: - Mas isso é loucura. É só um caderno. E eu disse que podia até ser, mas que eu tinha medo. Pois é. Agora estou com ele.
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