25 de outubro de 2012

A Cartomante e o Homem do Futuro

Durante este tempo, eu ainda estava morando próximo à beira do cais, no Recife Antigo, e ainda mantinha a ideia do bem-viver como algo que purificava o espírito. Conservava a alma com a pureza do ar que, naquele tempo, se podia respirar tranquilo. Era noite, o Recife mantinha a calmaria marítima da noite e o cais, obscurecido, era agitado apenas pela passagem dos trabalhadores e visitantes do lugar. Mas algo chamava a atenção: a mulher de cabelos compridos e batom vermelho reluzente sentada no batente próximo ao galpão de carga e descarga. Parecia muito pensativa.

28 de setembro de 2012

Rua da Coragem

Muita coragem me falta neste instante, mas ela sempre está lá. Levanta, senta. Senta, levanta. As mãos apressadas e trêmulas, as roupas molhadas de tanto trabalho em casa: roupas no varal limpas e aromáticas, comida na panela de dar gosto o cheiro do tempero. E o aroma se espalha pela casa afora até atravessar as cortinas e chegar à vizinhança. E muita coragem me falta, menos a ela que está lá sentada em sua cadeira de balanço. E ela estava lá, fim de tarde, sentada em sua cadeira; cachimbo na mão direita, olhar distante e umas baforadas violentas em direção à janela. Devia estar pensando no tempo em que morou na rua da coragem.

8 de agosto de 2012

O Poder das Coisas #2:

O Poder que a Palavra tem Sobre as Coisas


Ilustração: Alesson Felipe
Acaso tem a madeira o poder de construir a si mesma? Eu me pergunto cheia de intento e de inexplicável ânsia de resposta. Não obtenho uma resposta clara porque sei que a madeira é um caso à parte. Mas a verdade é que eu não sei como o Moacyr consegue dar vida às coisas porque nem eu mesma me criei. Nem faço ideia de como dar vida a outrem, mas o Moacyr sabe.

18 de julho de 2012

O Poder das Coisas: #1

o poder que a palavra tem sobre as coisas



Ilustração: Alesson Felipe
Moacyr se senta à beira da estrada e olha seu carro parado em plena manhã de domingo; se tivesse feito uma revisão antes de sair de casa não estaria agora debaixo do Sol a pino. Revolve os bolsos e vê a sua carteira, nem imaginava, há duas horas atrás, que estaria naquela situação.

2 de julho de 2012

Na Areia do Além Mar

Por Jack Borandá e Edilma Maria

Ofereço ao meu amigo Jack Borandá 
por ter me convidado para participar deste belo escrito.


Não me conheces verdadeiramente, mas estou em tuas preces solares/invernia à beira mar. Não me conheces, mas me enfeitas com flores nativas como se eu fosse teu encanto por Iemanjá. Não me conheces, mas eu teu ser sou o teu mundo desconhecido e evoluído que espraias em ondas cinzas de inverno.

20 de junho de 2012

Dave Grohl com F Maiúsculo


Você pode até achar estranho, caro inconsciente vermelho, mas antes de conhecer o cara mais bacana do rock, Dave Grohl, eu conheci o Foo Fighters. E, acredite, caro inconsciente incrédulo, sem nenhuma surpresa, eu me encantei. Eu devia estar saindo do ensino médio e pensando na faculdade naquele período e andava meio insone, então decidi que precisava ampliar meu checklist musico-cultural, foi quando, sem pretensão, movi o controle remoto e apertei um de seus botões, e lá estava o grupo, no videoclipe engraçado, tocando Learn To Fly, uns dois anos depois do lançamento, do álbum There Is Nothing Left to Lose, da forma mais descontraída possível, como eu nunca tinha visto antes, foi, sem dúvida alguma, um encantamento que perdura até hoje. Mas, até então, eu não sabia quem era o herói deste enredo. O F maiúsculo só aportou em minhas mãos em maio de 2012, quando tive acesso à sua biografia não autorizada, a mais autorizada que já li. E sim, caro inconsciente vermelho, eu gostei do que li e me encantei pela segunda vez. Eu descobri, ele é apenas uma pessoa real e muito consciente, é o cara mais bacana do rock. E eis que surge o Dave Grohl, o líder da banda mais bacana do rock: o Foo Fighters!

14 de junho de 2012

Você é a Minha Cinemateca

De todas as cores, de todos os jeitos: você. Venha e me beije, me faça companhia nos dias frios e tristes: você. Me queime, me faça arder em chamas e afaste o meu medo do escuro: puro. Gosto do seu gosto por coisas novas e reais, gosto do seu cheiro e dos seus ideais e, posso dizer a você, de todos os filmes que amei, você foi e é o mais completo e inesquecível. Lembro assim, meio que soturnamente, do dia em que conheci você, caro pássaro cor de anil, era assim que eu gostava de te chamar, naquela festa de nome longo e complexo, como era mesmo?, A Um Passo da Eternidade, você estava com uma camisa de lã cor de anil com um pássaro gótico desenhado manualmente, parece que estou te vendo agora, aqui perto Curtindo a Vida Adoidado. Agora me pego rindo muito alto, é que estou ouvindo All The Jazz é que você me chamou pra dançar ao som dessa música, lembra? As minhas lembranças não acabam aqui. Eu podia até me perder, mas Depois de Horas eu revelaria detalhes de nós dois.